A paz que eu sinto não deve ser confundida com falta de problema.
Pode parecer uma incoerência, mas quando eu tinha uma vida tranquila (de acordo cm os valores do mundo), eu não tinha paz. Não sentia a paz. Não penetrava em seus domínios. Me parecia algo muito, muito distante dos umbrais da minha casa.
Foram necessárias águas e mais águas sobre a minha cabeça, fogos destruidores e seguidos desmoronamentos para que meus olhos abrissem, ou melhor, meus ouvidos!
Digo ouvidos porque é por meio deles que a paz entra. Quando olhamos demais, ficamos críticos demais. Exigentes demais. Chatos demais.
E sentimos de menos. Vivemos de menos.
Quando a vida se quebra, fechamos os olhos para não ver. Penetramos no território das trevas. E sentimos pavor, medo, solidão e abandono. Tudo junto!
Com a convivência percebemos que ela, apesar de ser adornada de espanto, é uma boa companheira. É serena, mansa, sossegada.
Ver cansa demais!
E vamos ficando ali, no escondido do mundo.
Contemplando o silêncio. Lambendo nossas feridas.
Demoramos para descobrir, mas neste momento estamos de namoro com a paz. E logo, ela será uma esposa fiel e companheira para toda a vida.

